Resumen
O trabalho de cuidados é central para a vida humana, mas
no Brasil apresenta profundas desigualdades de gênero, raça e classe. Este estudo analisa essas desigualdades por meio das Contas Nacionais de Transferência de Tempo (CNTT), com base na PNAD 2015. Os resultados indicam que mulheres são responsáveis por 79,7 % do cuidado não remunerado, com destaque para mulheres negras, que produzem 44,2 % desse trabalho, embora representem apenas 24,1 % da população. Em contrapartida, os homens consomem mais cuidados do que produzem ao longo de suas vidas. As desigualdades se intensificam entre mulheres de baixa escolaridade, que enfrentam maior sobrecarga de cuidados. A escolaridade, embora reduza disparidades, não elimina o impacto das desigualdades estruturais. Conclui-se que a sobrecarga feminina perpetua ciclos de exclusão social, reforçando a necessidade de políticas públicas que promovam a corresponsabilidade
social nos cuidados e enfrentem desigualdades interseccionais de forma equitativa e progressiva.
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